quinta-feira, 17 de junho de 2010


macaquinhos no sotão



Deus não precisa que ninguém o negue. Ele mesmo já faz isso: nós.
nós somos absolutamente não-Deus e Ele é absolutamente não-nós.






daí que a fé é o cúmulo da auto-negação.
daí que o ateísmo é o cúmulo da auto-afirmação.
risco total de um lado, redundância total do outro.
porque o ateu confirma o que vê: o não-Deus. tudo o que o cerca inclusive ele mesmo.
aquele que crê, firma-se no invisível, no não-nós.
ambos estão certos. tanto "a-teo" quando "teo" existem.
mas a vantagem está mesmo com a fé porque ela transpõe o positum do a-teo e mergulha nos paradoxos mar-sem-fim dos mistérios do teo.

mistério oculto-revelante.
amor que tem um rosto. a relação mais desafiadora que pode existir.
e eu disse à ela:
"vamos! vai ser a maior aventura da sua vida!"
e Ele sorriu (como quem diz: "crianças...")

é uma con-versão. não uma ruptura mas uma volta.
acertar o alvo
só quem regressa se reencontra.
sim, o que chamamos "Deus" não é um absurdo. é um paradoxo.
é o totalmente diferente. alteridade absoluta.
sim, paradoxal.
só quem perde sua vida pode ganhá-la.
só quem se abandona se encontra.
só quem se submete a Deus se torna realmente livre.

o encontro com Deus é um desafio para o homem.
ontem, hoje e sempre.

sub species aeternitatis
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as núpcias:


"eras formosa em extremo e chegaste a ser rainha". (com a realidade)

"tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim". (com o outro)

"pois sei que teu amor é exigente e me agrada o teu ciúme". (consigo mesmo)
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eu rumo ao "O filho" e eu rumo ao "Filho do homem".
totalmente aberto para o Pai, totalmente aberto para os irmãos.

normalmente temos um grau maior ou menor de abertura para o outro.
todo outro que está no mundo é parcialmente outro. meu outro é o burguês? somos todos humanos. meu outro é um rato? somos todos animais. meu outro é uma pedra? somos todos matéria.

só meu pai é o inteiramente Outro.
o último desafio.

a negação do outro tem níveis. negar meu pai é a negação absoluta.
e como sou a encarnação do seu amor.
negar o amor é a negatividade absoluta.

é se pôr como juiz da realidade
do amor
e de seus filhos.

o filho é inteiramente um ser em prol dos outros.
não tem um espaço restrito ao próprio eu que possa contrapor ao eu dos outros.
ele se afirma somente na auto-negação
sua importância é dar importância aos outros.
seu sentido só aparece quando ele sai de si.

o filho é pura kênosis.
ele é o filho do homem.

eu rumo para ele.
já ouço seu rumor

sinais de amor.
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flores de ipê amarelo atapetaram a grama
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o filho concorda.

esposa contemplativa.


"passando eu por ti, vi-te e eis que seu tempo era tempo de amores".
tudo q fiz foi dizer "sim".

o filho é pura passagem, pura auto-transposição.
tudo q fiz foi dizer "sim".

agora é tempo de assentar esse assentimento.
sim, é esse tempo e como anseio que assente logo.
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apesar de mim estou contigo, apesar de mim estás comigo.
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o homem é matéria. é uma matéria que diz: "eu sou matéria".
que outra matéria diz isso? por acaso a pedra diz "eu sou matéria"?
ou árvore? ou a efeméride?
ora...
o que no homem sabe que ele é matéria?
ora...
que matéria diz "eu tenho espírito"?

o filho diz: "eu sou espírito". "tenho matéria".
a esposa contempla todos os alcances da fala do filho.
aquele silêncio que está vendo na palavra do filho a realidade que o esposo criou.

eles não são pensamentos. são amores.
eu sou eles.
eterno.
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não preciso deixar de ser "Leonardo" para ser o filho.
muito menos para ser a esposa.
não sou eu que dou sentido a eles. eles que dão sentido a mim.

só o amor vê lá onde todas as perpectivas concordam em uma.

hoje eu sei, tinham me dito, era verdade: a dimensão do amor é a verdadeira vida.
eterna.

estou chegando. a fragilidade do barro e o amor gratuito de Deus.
sim, estou chegando

às bodas.
então apresentarei meu pai e sua obra.
e toda sua beleza
pequena filocalia.
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king kong gira no gelo com a loira (esqueci o nome dela)
rodopia como um menino feliz.
desliguei a tv e aquele foi o final do filme.
foi feliz


me sinto fora e isso me leva para dentro.

sub specie aeternitatis