
Theopneustos
(o não-dito da pomba de Deus é a águia do Império).
emunah e se obedeço, compreendo
e seu Esclarecimento é o verdadeiro esclarecimento
e eu sufocava no meu entendimento limitado
claudicava no meu coração
sim
toda aquela noite não dormi pois algo se agitava em meu coração e a lua
a lua tinha a mesma cor da areia infinita.
é...
pirei ontem.
é que eu entendi o espírito/papel do o Filho e, pra variar, quis me identificar até ao ponto de me anular. mas ser cristão não é se anular, é se renovar.
é metanóia.
mas de clarão em clarão, finalmente amanheci.
finalmente estou conseguindo vencer a mim mesmo na batalha da autonegação.
estou obedecendo ao meu Pai
então finalmente eu entendi o espírito: é o Eu sub specie aeternitatis!
Leonardo é o Eu sub specie temporis.
o espírito do O Filho é a roupa desse Eu.
ele é atemporal.
é como o papel do ator.
tem que "incorporar"
tem que "encarnar".
enquanto isso não acontece, tome ensaio.
repentina Dabar:
"Dai glória a Deus, nós sabemos que esse homem é um pecador"
Leonardo não pode mais se levar à sério.
interpretando..."eu estou" sendo.
ser aqui é atuar.
eu sou o Leonardo e o O Filho é o meu "papel".
é como se eu fosse o Russell Crowe e Jesus fosse o meu Robin Hood.
mas assim como Crowe não é Robin Hood, também eu não sou Jesus de Nazaré (histórico) eu sou Leonardo vivendo o O Filho (eterno).
até entender isso, quantas neuras, quantas idas e vindas, Teseu no labirinto da mente.
e o tempo todo meu fio de Ariadne...
e o tempo todo Jesus estava para "O Filho" como Robin Hood está para "o guerreiro", isto é, o histórico não é o mais importante e sim o eterno. aqui o sub specie temporis está à serviço do sub specie aeternitatis.
repentina Dabar:
NÃO É UMA ILUSÃO, É UMA ALUSÃO.
"e quando viu o sinal que Jesus tinha feito, ajoelhou no fundo do barco"
ele (meu Eu histórico) está tomado de espanto, thaumazein, como Simão.
repentina Dabar:
a mim mesmo nunca chego, preciso de uma mediação. o Eu eterno do O Filho é o caminho.
eu não sou Jesus Cristo, eu sou o Leonardo.
O Leonardo querendo viver, querendo interpretar, querendo re-apresentar Jesus Cristo, ou seja, O Filho.
Dabar: é o supera-homem querendo amar.
ser cristão é só, e somente só, ir na de Jesus Cristo.
meu mestre não é Marx, não é (mais) Debord, não é Borges, não é mais filhos do tempo.
meu mestre é Cristo. um mestre para aprender, um amigo para confiar, um irmão mais velho para imitar.
Jesus é para ser vivido.
mas eu extrapolei, comecei a pensar que estar no O Filho enquanto sujeito seria a própria vinda do Filho para tudo sujeitar a si. foi isso que me deixou em parafusos ontem, mas por minha culpa. não que o ser-cristão seja um fabricante de loucos. não, somos nós que começamos a nos achar importantes e ficamos apontando para nós mesmos ao invés de apontar para Jesus.
é ele e não eu. é necessário que ele venha e eu me vá.
eu, Leonardo, a resistência encarnada, dessa vez achei quem me dobrasse. vou dar lugar ao ser-cristão: dar tudo de mim , meu futuro, meus talentos, meu corpo, minha mente, em suma: minha vida...
...PELOS OUTROS.
o cristão "trabalha" para Deus, sua firma é a Igreja, seu gerente é Cristo, seu modus operandi é o amor, seu produto é a paz.
(o Cristão como sujeito, bem entendido. enquanto representação é só uma paródia de tudo isso).
sim...eu testifico, o cristão enquanto sujeito é mesmo um sacrificar-se pelos outros.
até o fim.
trabalhar para Deus...
ajudar Deus é parar de se preocupar tanto consigo mesmo e ajudar os outros da maneira que as circunstâncias exigirem.
ser inteiramente disponível. aberto para Deus e para os homens.
passagem.
isso é difícil no começo por causa de nós mesmos.
nosso querer é egoísta e mesquinho.
minha vontade é minha pior inimiga.
sacrifício de amor perfeito. por mim eu não teria carregado carrinhos de terra hoje de manhã. teria vindo para o campus do vale, acessado internet, lendo ou qualquer coisa da minha vontade. mas a vontade do meu Pai é que eu seja justo com a paróquia que me mantém e não a parasite. trabalhar. ser útil.
e não faço nada mais do que minha obrigação. é claro que não é absolutamente necessário crer em Deus para se ter esse bom senso, diria alguém. tá, ótimo, palmas pra quem tem outras motivações e não precisa de Deus para ter bom senso mas eu preciso. Deus, mais precisamente meu Pai é que é minha motivação.
aceitação. de Deus, do outro, de mim mesmo
principalmente de que não sou nenhum Jesus Cristo, muito pelo contrário, sou um nada irriquieto e cheio de neuras.
mas eu quero amar como ele amou.
e vou insistir nisso
até o fim.
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agora chega. chega de tanto Leonardo.
daqui pra cima só pequena filocalia e as sinfonias
do dom.
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