
Colheita
no pensamento hebraico - que é um pensamento recebido - o tempo é uma escada em espiral.
hesitações: a Bíblia Hebraica é uma coleção de textos do Oriente próximo, escrita há mais de dois milênios e meio. demorou 9 séculos para ficar pronta.
é um vinho de 900 anos cultivado por uma cultura completamente diferente da nossa. a perspectiva dos autores sobre a vida e o mundo que os cercava estava diretamente ligada à uma visão do mundo como acontecimento. o mundo no pensamento hebraico é vivo e concreto, dele somos uma analogia em micro escala.
um exemplo de como o pensamento hebraico antigo é totalmente diferente do moderno está no modo como ele compreende o tempo. na modernidade o passado está atrás e o futuro, na frente. no mundo hebraico ocorre exatamente o contrário. em hebraico, a palavra mahar significa "futuro", mas também pode significar "atrás", enquanto o termo temol, que significa "passado", também pode significar "à frente".
(hesitações: os hebreus viveram em busca da terra prometida, da restauração de Jerusalém, da vinda do Messias. A palavra hebraica pra futuro é "mahar", porém esta mesma palavra ocorre em algumas partes do antigo testamento significando "aquilo que está atrás" da mesma forma, o termo hebraico "temol", cujo significado principal é "passado" ocorre, às vezes, denotando "aquilo que está na frente" - diante da vista.
a visão judaica do tempo é oposta à visão moderna-ocidental, enquanto os ocidentais enxergam o tempo como uma linha, os judeus o enxergavam como um círculo).
I.é, no antigo pensamento hebraico o passado estava à frente, pois ele estava "diante dos olhos" dos homens, ou seja, era conhecido. O futuro, porém, estava "atrás", isto é, "escondido", "desconhecido" aos olhos dos homens.
indecisão: outro exemplo dessa visão diferente sobre o tempo: o Antigo Testamento entende o tempo como tendo uma natureza cíclica e linear ao mesmo tempo (isso só pode ser a espiral - grifo meu). esta noção se reflete na palavra hebraica shanah, que significa "ano", mas que também pode significar "repetição". cada ano, na cosmovisão judaica antiga, representa um ciclo (in)completo de determinados eventos de natureza espiritual estabelecidos por Deus, que se repetem anualmente.
todavia, ao mesmo tempo, cada ano também é único. isto fica revelado na própria palavra shanah, que além de significar "repetição", se relaciona ao verbo shoneh, que significa "mudança". embora o padrão de tempo seja repetido, a cada ano novos mistérios são revelados, des-cobertos, e condicionam a natureza dos acontecimentos, os "mesmos mudados".
hesitante: é por esta visão do tempo enquanto mudança que os judeus são considerados o primeiro povo que incorporou uma visão linear do tempo harmonizada com a visão cíclica, que aponta para um momento futuro em que se daria a epifania das realidades messiânicas.
hesi
o homem hesita, ora pende para um lado, ora para o outro.
deveria acolher ambos.
um diz: - é cíclico. é o círculo.
outro replica: - é linear. é a reta.
mas aí vem Dabar a você e te revela que não é nem uma coisa e nem outra: é ambas.
ou seja, é espiral.
no pensamento hebraico - que é um pensamento recebido - o tempo é uma escada em espiral.
tante
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o anti-thelema:
o anti-zaratustra:
Satan: Deus não existe. faça o que quiser, vc é livre! goze e deixe gozar!
Leonardo: então posso fazer o que quiser?
Satan: claro, claro...faze o que tu queres, esta é a lei...
Leonardo: eu quero acreditar em Deus: eu quero querer com a vontade dele.
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Bernanos e o milagre das mãos vazias:
Leonardo: a humildade consiste em saber o nosso lugar.
Satan: isso é discurso legitimador. está sempre na boca dos patrões que adoram os empregados que "saibam o seu lugar"
Leonardo: vai-te Satan, tu és para mim pedra de tropeço porque só tens pensamentos de homens e não de Deus.
e olhando em derredor: pois qual é o lugar do patrão?
o patrão que sabe o seu lugar jamais diz uma coisa dessas ao "seu" empregado porque ele, o patrão, é o empregado dos empregados. ele é o empregado de todos. o lugar do patrão, a honra do patrão, é servir a todos. pagar, agendar, organizar, correr atrás dos materiais e etc: é o empregado-mór.
e neste dia também Elemiah concordou comigo: em potência o patrão está para os empregados como o pai está para os filhos.
pena que em ato, por enquanto...