segunda-feira, 18 de outubro de 2010


aperiam in parabolis os meum

os atores
o faz-de-conta

2010 anos depois e recomeça o esclarecimento inteiramente Outro.
abrirei minha boca em parábolas, revelarei coisas ocultas desde a fundação do mundo.

o espírito é o personagem.

"espiritual" é um personagem em ação.
atuando
o ato precisa de atores para sair do eterno e acontecer.
e a alegoria viver.
e o símbolo encarnar:
"vi o invisível se tornar palpável, assou e comeu o peixe".




atrizes e atores, palhaços, artistas performáticos em geral
estes são os seres mais espirituais que existem
"eu não sou eu"

o espírito está no "papel". mesmo no mundo formatado pelo papel-moeda, o papel que rende vida foi, é, e sempre será o "papel" que requer representação, interpretação, em cena ação
encena a ação
aciona a cena

o faz-de-conta é o coração da arte de ser.
é a roupa do Eu
roupa, essa é a melhor imagem.
vestiu o espírito: incorporou o personagem.

sim, o espírito está no faz-de-conta.

eu sou O filho.

antes da kénosis eu não interpretava. só havia o nome.
e por isso não funcionava: eu ainda não estava no personagem.
e por isso não atuava: eu ainda não estava no espírito.

não estava eterno.
porque do (paradoxal) ponto de vista da eternidade só o personagem existe.
fora do espírito, sem personagem, estamos mortos.
Marlon Brando morreu, mas seu personagem, "O patriarca", vive.
"O Pai" vive para sempre.

um ator não interpreta a si mesmo. meu nome não sou eu.
personagens são universalidades. eternos. vivificantes

a vida está no personagem
a carne passa, o espírito fica
diante da lua da morte o animal solta seu último uivo
só os personagens permanecem

e são eles
O Pai
A mãe
O filho
A filha

o outro de ti mesmo é tua universalidade. esqueça teu nome, se dê outro nome.
começe a brincar de outro, faça de conta que você é outro.

só assim você será

eternamente


em outro.
___

Deus é um personagem.
O Pai

A mãe é Kabôd do Pai, seu primeiro amor. apaixonado espelho de sua glória, por ela o Pai derramou toda sua luz

e veio O filho
e veio A filha

Rilke não podia ir tão longe: o começo do divino não é o belo, mas a

família.
___

Étoile - epílogo

uma carta (decente)
um bonsai (decente)
e

e é assim mesmo, normalmente as pessoas não se interessam pelo ator - e é até melhor, tietagem é deprimente - mas vão para ver o personagem que ele está vivendo.

não será diferente aqui

- a esperança está na próxima página. não feche o livro!
- virei todas as páginas do livro e não encontrei a esperança.
- a esperança é, talvez, o livro.

(Edmond Jàbes - Le Parcours)