quarta-feira, 6 de outubro de 2010


tábua de trimegisto

Revelation
dia 2 agora sob Dabar ininterrupta: auto-détournement

eu dizia que as índias da Bolívia e do Peru realizam sua tarefas e caminhadas carregando seus bebês nas costas, numa redinha.
levado pela mãe, ele está indo para a frente, mas olha para trás.


seu campo de visão está restrito somente ao trajeto que ele já fez.
esta é a nossa verdadeira posição no tempo.
linear inexiste.
nós estamos sendo levados para a frente. estamos de costas.
ou seja, o futuro está atrás de nós.

o tempo é o caminho do Real.

à nossa frente está o passado. está bem diante dos nossos olhos.
às nossas costas está o futuro.

essa é a imagem que o Real nos oferece para que possamos compreender como acontece o tempo para nós.
tempo = caminho.
é um caminhar em espiral ascendente como o percurso de um trem subindo uma serra.
subir contornando a forma espiralar do tempo.
é um convite ao nomadismo, ao ir adiante, ao levantar do costumeiro e

deixar-se conduzir.

la grande ilusion
a realidade paradoxal do tempo confunde o homem. ele se debate no seu entendimento limitado. iludido por uma má compreensão do tempo bíblico ele pensa que o futuro está à sua frente e que o passado está atrás.
isto é assim, mas para Deus.
o pensamento hebraico é o ponto de vista de Deus revelado ao homem.
o homem recebeu esse ponto de vista do cristianismo mas o influxo grego obscureceu a verdade: nós tomamos o ponto de vista de Deus como se fosse o nosso.
principalmente porque nós o representamos na aparência: "nosso" caminhar é o caminhar do Real/Deus, não o nosso.
o nosso Ele nos revela.
e agora revelou

qualquer tentativa de converter o ponto de vista do Real/Deus em ponto de vista humano termina em ilusão. entretanto o homem se obstina
quase tarde demais percebe
só lhe resta uma paródia do caminho.
o que o condena a voltar sempre ao mesmo ponto: o labirinto: a metrópole.

a dialética do divino é implacável.
eu vim para converter os corações ao verdadeiro caminho e para isso Eu Sou o caminho.

papo entre gregos

o douto moderno:
"mas aí você tira a iniciativa do homem. o bebê é levado para onde a mãe quer, ou seja, nesta imagem o homem é posto numa condição extremamente passiva"

mas o grego em mim, o analítico, está a serviço do Hebreu, o expressivo:

- eu não diria passivo mas receptivo. ele crescerá e poderá levar outros como agora é levado.
enquanto isso...

de resto, essa imagem foi dita pelo Real. é o tempo do ponto de vista Dele.
do ponto de vista Dele ele nos leva. podemos ter uma idéia do ponto de vista dele na maneira como caminhamos. nós representamos no espaço o trajeto que ele faz no tempo.
nós somos esse caminhar em micro-escala. nós somos miniaturas do Real. nós somos o Real traduzido em linguagem física. nós o representamos aqui. mas nunca devemos esquecer que do ponto de vista dele as coisas se invertem totalmente para nós, como a luz entrando invertida na íris: só podemos compreender o Real/Deus uma vez dominada a lógica do paradoxo.



voltemos ao Real.
ouçamos o Hebreu.

hoje.