quinta-feira, 21 de outubro de 2010


viver: o teatro do divino


olha só a cara do moleque...deve ser o godzilla.

bem
aqui o grego está a serviço do hebreu
então
o homem é um animal racional e espiritual.
espiritual. isto quer dizer que ele é capaz de "ser" outro: ele pode interpretar.
ele pode ter um personagem que dê sentido ao seu atuar no mundo.



os outros animais racionais não são capazes disso. eles são o que são.
alíás, não existe essa de "animal irracional", como se só no homem houvesse razão.
isso é um preconceito, o tal de especismo.
todo animal é racional.
irracional, só o homem quando esquece que não é apenas racional.

mas quando ele lembra que também é espiritual, que pode inter-prestar-se à outros papéis, que pode fazer-de-conta também quando adulto (os atores, os palhaços, e todos os artistas performáticos são a prova disso) quando se lembra que pode voltar ao personagem, voltar a brincar de ser outro, então

ele volta a viver.

a memória é um convite ao regresso, a mágica sedução das origens é o canto da sereia que quer desamarrar Ulisses do mastro

da razão.

a razão deve estar subordinada ao faz-de-conta.
como nas crianças.

eu não sou minha razão, eu não sou minha carne

eu sou o personagem