quarta-feira, 24 de novembro de 2010


o mito não mente

o mito não é uma falsa crença.
o mito não é uma fantasia.

o mito é uma linguagem.
linguagem simbólica.
poética

σύμβολον: todo mito é um oráculo.
é cifra, é alegoria
mito é poesia.




a interpretação dessa linguagem, o des-cifrar dessa linguagem
para outras linguagens

é preciso

traduzir os mitos contemporâneos
interpretar os mitos contemporâneos

é preciso.

nem sempre é funesto o dobre de sinos
aqui é um convite à philia para com a sabedoria que os mitos criptam.


o mito é esfingético, Édipo pés-cascudos é seu intérprete.

"des-cifre-me""
ou...
te como!
(ou seja, ou certamente farás parte de mim)

mito é construção de sentido

e os mitos continuam no lugar de sempre.
esta linguagem tem um domicílio.

a religião.

a sua linguagem é mitológica
no melhor sentido do termo, o autêntico:
a narrativa simbólica é sua linguagem.

ela fala de pessoas Inteiramente Outras
de um mundo Inteiramente Outro
o cristianismo fala de um homem inteiramente Outro

em suma: mudança radical.

sendo pragmáticos:
o que esta linguagem estranha está dizendo para nós?

o que é ser uma pessoa inteiramente Outra?
= como mudar a este ponto?
como seria um mundo inteiramente Outro?
= como seria viver num mundo onde tudo fosse de graça?

o demônio é representado como um homem com chifres e rabo.
o animalesco...o que faz com que o homem seja inteiramente sempre o mesmo?

Satan e o mundo da Lei, o mito de Lúcifer e o sistema capitalista.
a Torre de Babel e a modernidade.

uma vez que o mundo inteiro foi configurado sob a perspectiva ocidental, quem interpretar o ocidente moderno à luz dos mitos de sua religião dominante - que está em sua estrutura basilar - estará de posse das chaves que permitirão compreender um aspecto inteiramente Outro da realidade histórica atual.

e as três chaves narrativas que explicam o momento histórico que nos contém são:

a Revolta (consolidada como "direita conservadora")
a Queda
a Torre


valem tanto para a realidade externa de todos quanto para a realidade interna de cada um.

pois o mito é a história vista sub specie aeternitatis.

vale para história geral e pessoal ao mesmo tempo.

e os mitos estão no lugar de sempre.
na religião.
é preciso que o Logos entre lá.

para que venha o próximo mundo que estes mitos anunciam.
e que este, do Revoltado contra o Real/Deus, acabe enfim.