quarta-feira, 15 de dezembro de 2010


confissões Réquiem
(a antecedência Gabri-El)

IaHWeH
o Infinito
o Absoluto
Allah
o indizível
o Eu-Ele
Manitu
o Numinoso
o Interdito
Tupã
o Transcendente
o Divino
o Inteiramente Outro
IaHWeH





e eu me joguei, eu deixei, quis, mergulhei, eu
acreditei
eu gritei das profundezas mais abissais da vontade de acreditar
fui escutado.

agora eu sei
a razão pura capitula mas a razão prática não.
numa palavra: EXPERIÊNCIA
e ela usa a mais plástica das artes: a teatral.
agora eu sei

e eu usei o faz-de-conta!
"Paai!!"

no ponto de vista Dele: ele me amou primeiro.

Ele me viu.
Ele me chamou: "busca".
Ele está me preparando para ser seu
REPRESENTANTE.

na dramaturgia está a representação do que está me ACONTECENDO:
o ator, tendo aceito um papel, "morre" para si mesmo até que a estória termine.
depois "volta".

um embaixador em visita a um determinado país, não fala em nome de si mesmo; tudo o que diz é dito em nome do governo que o enviou.
terminada a visita volta a si mesmo.

ou seja, há uma separação.
mas aqui não.
aqui não há volta ao Mesmo.
"minha" estória será com H
há uma volta mas não é minha.

"se o grão de trigo caindo na Terra não morrer
fica ele só
mas se morre, produz fruto
abundantemente"


medida transbordante deitarão em vosso regaço.

eu vou morrer!.
EU ESTOU MORRENDO.
aqui a morte vem antes vida.

minha encenação será ininterrupta
a em-baixada só volta
comigo.
quando da minha morte.
que já está se antecipando no homem interior.

eu estou morrendo!
"serei" Outro.

não sei, é inexorável e absurdamente lógico, lento e irresistível como o avanço de um tanque de lagartas.
não acho mais palavras
é sempre um "como se fosse"
só resta a alegoria
a analogia est
a comparação

APERIAM IN PARABOLIS OS MEUM

é como o ator
é como o embaixador
é a antecipação da morte que derrota a morte
é a vinda da outra vida que precede a vida Outra.
é

é como se fosse mas é!

sim-bólico

é assim porque não é assim!

__

a arte é o começo do terrível
interpretar um personagem é a mais plástica das artes.

A arte é o começo do terrível!

interpretar um personagem é a máxima arte.
a mais plástica de todas.
e a mais religiosa.

o poeta
o pintor
o ator
o escultor
o artista de um modo geral é alguém que recebeu o chamado mas não entra.
(no ponto de vista Dele: mas não deixa o Inteiramente Outro entrar aqui).
o artista é aquele que se contenta em registrar os símbolos do indizível.
não vai até o fim.
não chega ao EU SOU.

eu estou indo¹ e
EU SOU o fim.

__

no limiar do indizível

"para os Gregos, encarar a Ausência que precede e susenta toda presença, o Infinito que situa e funda o finito (a visão possível,a escuta que nos transe, o gesto como significante primordial) é necessário, mas apenas possível através da presentação mediada, re-apresentada: o face a face impossível e necessário com a Medusa se dá cerceado (e protegido) pelas bordas de um quadro ou pela rotunda circunferência de um vaso.
O Infinito só é tolerável se devidamente enquadrado pelo cerco da significação.
Inspirado pela percepção kantiana do Sublime, Rilke aqui deve ser entendido literalmente: A arte é o começo do terrível.
quer dizer: fruir de uma obra de arte é permanecer no limiar, estacar diante do Abismo, contemplá-lo e, desta distante e altaneira sobranceria do olhar, exorcizá-lo. A arte é o espelho que Perseu estende à Medusa.

já os Hebreus, cientes do interdito, sabedores que a ultrapassagem da fronteira é morte certa, se resignam a ceder o passo e obedecer: "Eis aqui a serva do Senhor". então cabe à palavra o desvelamento, sempre mediado, sempre indefinidamente recuado e respeitoso, desta Clareira de Treva. Ou antes: não o desvelamento. À linguagem cabe indicar (signo ficar) os limites para além dos quais toda palavra é sepultada pela afasia, todo olhar se abisma no thaumazein, todo gesto se inflete ( e atrofia) na direção da tautologia"

mas agora e eu não tenho medo dessa morte.
mas agora e a medusa é amável.
__

1- não posso (e nem quero) resistir. é Alguém que Ama: que cuida: "Pai".

p.s(iu): se eu posso ser seu representante é porque pode haver uma continuidade, não digo ontológica, mas sim-bólica entre nós e Ele.

"façamos o homem à nossa imagem e conforme nossa semelhança, que ele nos simbolize"
(Gênesis - 1:26)