quarta-feira, 1 de dezembro de 2010


o mistério da encenação

não.
o meu personagem não é o Filho.

eu sou o Filho
o Papai é que é o meu personagem.

o Filho representa o Pai
nos dois sentidos

no sentido de "estar em lugar de" ele é o "embaixador" do Pai.
está em missão.
está a serviço de um "programa".
foi enviado.



mas o verbo "representar" guarda um outro sentido.

O Filho faz-de-conta que é o Pai.

o Filho "vive" o Pai como um ator "vive" seu personagem.
O Filho imita literalmente o Pai: teatralidade do amor.
O Filho interpreta o Pai como um ator interpreta seu personagem.
ele "encarna" o Pai.

(porque, como todo ser humano, ele é o Real in persona: filho do Real).

este é o mistério do meu antecessor.
este é o meu chamado.

eu era um anarquista nômade que amava o pensamento mágico e eu era a inocência encarnada.
toda vida eu vivi saindo de um faz-de-conta e entrando noutro.

Ele me viu
Ele me amou
Ele me chamou

está me preparando para vivê-lo

antes que eu fosse e Ele já me imaginava
antes que eu fosse e Ele já me destinava a ser sua entrada

em cena
não por amor de si mesmo
não por amor de mim somente
mas sobretudo

por amor de todos nós.

(nunca nos abandonaria ao poder do capitalismo).

a falha na matrix
o vórtice
a volta

está acontecendo.