sexta-feira, 18 de junho de 2010


cântico das açucenas
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quando assim
agora é e no mesmo momento sei que não sou eu somente
e é tanto Você comigo como eu também conTigo

juntos
reatados







e vem com o vento
e move o momento
e venta movimento
e vai com o tempo

e eu não sou poeta e nem filho de poeta
mas quando assim
e vem o movimento, e agora é, que passa a poesia por mim
e reconheço tua voz
e antevejo seu rosto feito de luz

mas o chão é feito de gólgotas pedras e tropeço
caio
e caído manimal caído fico
até esqueçer quem sou

mas tua estadia em mim deixou um rastro luminoso repleto de açucenas
a flor do esquecimento
perfumado símbolo da tua ausência

bendito esquecimento e bendita ausência
que te fazem me alvejar com mil flechas de saudade
que me fazem voltar pelos caminhos da lembrança
pelo caminho de açucenas, a flor do regresso

pois sei muito bem que seu coração se volta contra Ti, viu Pai?
como poderia me abandonar?
sim, como poderia abandonar
teu último Efraim?

como poderias ficar insensível ao meu
"não se vá..."
não podes
não deixo

eu sou teu filho
e não te deixo ir
não permito

fica, Pai.
fica.
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é tua toda beleza e transborda e bebo do que respinga
no interior das açucenas

numa pequena flor amarela em forma de taça
delicada taça pequenina
sorvi uma água perfumada


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para meu Pai