
a morte do grão de trigo
percebi que começa como se um ensaio começasse.
Dabar
como aquele ator, me preparei para entrar em cena
e eu fiz-de-conta antes de fazer pra valer
elas estão na ribalta da vida mas querem protagonizar.
vindas ao palco da imaginação.
ato fúnebre:
retorno ao manimal
retorno ao manimal via um Eu postiço.
atos fúnebres:
o libidinoso - e eu imaginava/ensaiava que estava no ato pelo ato, sem amor.
o irado/o rebelde - e eu imaginava/ensaiava o bate-boca de Caim e até mesmo o que ele fez. até lá e até a dor da queda em si chegar.
(e na hora mais cambriana, a última inclinação e o papel do opositor)
o vaidoso - e eu imaginava/ensaiava a admiração dos outros. iludia a mim mesmo.
Ouroboros as mil mortes:
a imaginação come da repetição.
compleição do eterno retorno constitui e
e eu lembrei de Ouroboros.
o ensaio quer ser ato.
o eu postiço quer ser Leonardo
deixava-me ir
voltava, voltava e
voltava
ao manimal.
alguém testificou num lugar certa vez dizendo: a tentação como ensaio via imaginação sina será dos resistentes crônicos.
não-dito: para os que nem "ensaiam" uma resistência, basta o olhar.
e logo deixam-se ir...e foram-se
e logo se esqueceram de si.
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per-sonare: soar através: per-sonagem.
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peguei o último atalho. a vigilância afrouxava naquele orgulho lutuoso.
e com ele meus inimigos mais antigos, sempre diante de mim. em derredor.
na tentação a imaginação afeta o corpo. imagino, desperto o animal.
bem, eu também sou primata
digamos, o homem-animal
manimal
o animal, pelo menos o macho, quer copular toda hora
quer comer desenfreadamente
quer se atracar, rasgar, matar
quer dominar sobre os outros animais circunstantes.
só vive para si mesmo.
eu não sou apenas um animal.
ele é meu exílio.
eu não sou daqui.
eu não sou "daqui".
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o atraente é o corpo do prazer,
a sedução (deixar-se conduzir, deixar-se ir) fisga no corpo.
é sempre um prazer que não quer limites.
é sempre um prazer mil mortes
ouroboros
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(e quando faz um silêncio escuro eu grito pela luz de suas mãos)
:
é por essas e outras, Irmão, que eu te digo
eu odeio esse teatro atroz
eu não quero representar o manimal.
eu quero representar você!
e representar você é ser humano sem máscaras
ser de VERDADE
eu não quero que aquilo soe através de mim
só você eu aceito soar através de mim!
eu quero ser seu personagem!
eu quero ser de VERDADE
é o seu "papel" que eu quero interpretar
O filho.
o filho de Deus
verdadeiro homem.
porque eu olho para você e tento ser como você!
Ó Deus! digne-se dar broto outra vez às
(às flores que continuam expatriadas)
e eu tento fazer-de-conta que sou você, Irmão, tento ser "O filho" primeiro na imaginação para depois ser como você no palco da vida.
daí que o esquecimento é já o grande vilão desse drama
pois que
justamente agora que quero "encarnar" "O filho" as tentações/máscaras atrozes parecem me assaltar, parecem me invadir. me fazendo esquecer de ti
que ti
amo.
e isso me angustia muito
porque quando personifico as máscaras do teatro atroz nem bem fiz isso
e já sei que te afligi e afligi o Pai
e a mãe e a Sininho
e me aflige afligir vocês.
não que isso obste pois
emunah
sei que voce me amará "até o fim" Irmão
e é quando esse amor me atravessa, e agora foi e era o dom das lágrimas e amor e
era o dom das lágrimas.
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"confie em mim, confie em nós"
e é isso...
emunah
eu confio
eu confio
tu não me abandonarás
você não faz isso.
sim, me pede o compromisso de vigiar
de prontamente recusar qualquer papel que não seja
O filho.
- Sim, Irmão.
sim.
(cai o pano)