
a morte do grão de trigo.
Deserto.
me sinto só.
sonâmbulo, ando entre meu povo que dorme.
projeto uma sombra.
confundo-me com minha sombra.
vivifico a mortalha.
eu sou o amor pelo apelo do deserto. arrebata-me a alma.
ouço o vento passar por gretas fendas perfuradas.
a iriscidência da rocha escarlate mistura-se à reverberação das grandes areias.
sopro por minhas narinas o clamor dos ermos.
árido.
ressecante.
não há espelhos no deserto.
estou de olhos fechados
medo.
mas eis q
"não temas, sou eu. também estive no deserto".
solidão habitada.
pisa meu deserto e sigo seus passos.
sua suavidade.
e são os meus passos.
nossos.
quando reconheci a voz não pude deixar de especular que sucesso seria...
seu amor.
minha paixão.
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nego o ego, curo o cego.