quinta-feira, 17 de junho de 2010


a morte do grão de trigo.


Deserto.
me sinto só.

sonâmbulo, ando entre meu povo que dorme.

projeto uma sombra.

confundo-me com minha sombra.

vivifico a mortalha.




eu sou o amor pelo apelo do deserto. arrebata-me a alma.
ouço o vento passar por gretas fendas perfuradas.
a iriscidência da rocha escarlate mistura-se à reverberação das grandes areias.
sopro por minhas narinas o clamor dos ermos.

árido.
ressecante.

não há espelhos no deserto.

estou de olhos fechados

medo.

mas eis q
"não temas, sou eu. também estive no deserto".


solidão habitada.
pisa meu deserto e sigo seus passos.
sua suavidade.

e são os meus passos.
nossos.

quando reconheci a voz não pude deixar de especular que sucesso seria...

seu amor.

minha paixão.

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nego o ego, curo o cego.