
que pena, Brasil...
"se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar"
e era a de todas que vi, a mais frágil.
me simpatizei. preferi.
eu temi por ela.
tive medo por ela. ela era frágil.
era a primeira copa da maioria deles.
isso foi o que mais me deu dó.
o jogo contra Portugal foi o avant-première dessa despedida, ali ficou patente que não íamos muito longe.
Holanda...
a Holanda é uma escola respeitável, com um estilo próprio. eles tem um futebol mais solto, mais à francesa, mas são aplicados como os alemães. e agora pelo visto incorporaram a manha sul-americana. isso tudo reunido foi fatal para os escoteiros e debutantes do breve e zangado Dunga.
parecia que ia ser fácil. parecia que ia golear.
e era o fim. dois gols feitos encima da nossa eterna deficiência fizeram desmoronar os nervos dos meninos da pátria. Robinho patético, Felipe selvagem, Nilmar escondido e Kaká na sua hora do "porque me abandonastes?".
frágil.
digna de amor.
perdemos...
a tarde ensolarada se calou.
a banda acabou de passar e o circo foi embora.
vejo a conformação nascendo
vejo o povo, olho os rostos.
está doendo, mas fazer o quê?
em mim ao mesmo tempo que neles.
eu padeço, eles padecem.
eu fico com pena. com-padeço
que pena, Brasil
até 2014, até cá.
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a maré vermelha.
Iahweh Deus Pai
diga à lua que se vá e que amanheça teu sol invicto.
a Besta sobe do mar.
do mar vermelho
da agitação do sangue.
o homem animalesco sobe do descontrole, do mar, isto é, de uma superfície onde não se pode "pisar". não se pode construir nada.
ouroboros. urge vigiar ouroboros.
quando o homem se aprisiona ele liberta o animal. e o animalesco mata o homem. alguém duvida que a besta-fera mata o humano?
quem creu na nossa palavra?
a quem foi manifestado o braço de Iahweh?
atravesso o mar vermelho.
já que não posso andar sobre ele, piso o fundo.
sou protegido pela nuvem do não-saber, nada sei, vou recebendo compreensão da Dabar que me conduz.
sou conduzido por uma coluna de fogo. ilumina e lança luz às zonas escuras de um eu relutante e com uma rígida cerviz.
eu sou Israel
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Iahweh Deus Pai está me acontecendo.
e isso não é a fatura de uma conduta irrepreensível mas o atestado da minha miséria.
não para que eu me deleite numa glória inimaginável mas para o sacrifício perfeito pelos outros: a renúncia a mim mesmo.
trabalho a fazer. serviço a realizar. estou sendo preparado para ser um ser-para-o-outro. para ser para-os-outros.
fui escolhido por ser rejeitado.
fui chamado por ser desprezado.
fui convocado por ter sido dispensado.
por ser um débil mental sou visitado por aquela lucidez que faz o douto enrubescer e o príncipe desse mundo perder o sono.
porque amar para mim sempre foi sinônimo de sofrimento, invoquei sem saber, o amor que sofre em pessoa.
aqui começa minha pequena filocalia.
não falarei mais de mim por mim porque agora há outros olhos aqui e isso interfere na Dabar espontaneidade Dabar.
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Gabriel entrou onde Maria estava.
e não ela que entrou onde ele estava.
Jacó dormiu. só isso.
e é "isso" que está acontecendo.
comigo/conosco.
eu sou o Cristo do fim.
a miséria humana redimida.
não por amor de mim, mas por amor de nós.