
miscelânias para Avdotia
linguagem tipológica: o código dos códigos
FRYE, Northrop.
(...)segundo William Blake, a linguagem bíblica é o "grande código da arte".
realmente tudo está ali. do rococó ao dadaísmo, tudo.
Kafka fez uma reverência: "isso é um abismo luminoso...temos que fechar os olhos para não cair..."
Status: saboreando Le Parcous - Edmond Jabès.
que coisa...o tempo todo tendo um mestre ao alcance da mão e nem me dava conta
Vincenzo Vitiello e a crítica do ateísmo dogmático: a crassa ignorância da militância ateísta sobre as categorias do númem e fenómenum.
o Dioniso de Nietzsche e Iahweh, o Deus nômade: tudo a ver.
para se ver Deus é necessário, tempo.
é um ver que leva tempo.
é como conhecer alguém - afinal, se trata de alguém: não é da noite pro dia.
Simone de Beauvoir dizia que levou dois anos para realmente começar a ver Sartre.
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breve excerto de uma revista especializada em filosofia da religião acerca do encontro de Capri, em 1994:
"Para mim causa satisfação ver a saciedade com que a filosofia da virada do milênio faz sua crítica à crítica que a Aufklärung fazia da religião. Todos os que, com alguma seriedade, tentam acompanhar o que se passa na cultura de hoje sentem um "mal estar" análogo ao do grupo de Capri (Jaques Derrida, Gianni Vattimo, dentre outros), diante do pedantismo iluminista que dominou o pensamento europeu durante tanto tempo. O evento de Capri comprova que a postura totalitária, reducionista e objetivadora, tão freqüente nos Iluminismos de ontem e de hoje começou realmente a sentir seus limites e a fazer a auto-crítica de sua crítica à religião. Difícil dizer aonde nos levará tal reflexão. Mas, sem dúvida ela já se instaurou. A discussão já não se processa na faixa estreita dos dois campos que se contrapunham no mundo do pensamento quando se tratava de refletir sobre o religioso:
- de um lado a Religião, do outro, a Razão, as Luzes, a Ciência, a Crítica
(a crítica marxista, a genealogia nietzcheana, a psicanálise freudiana e respectivas heranças), como se a existência de um estivesse condicionada ao desaparecimento da outra. Pelo contrário, é necessário partir de outro esquema para tentar pensar o dito "retorno do mistério de Deus".
é esse o "esquema" que esteve no centro do interesse do debate da ilha de Tibério. Ele marca o rumo das discussões embora, seguramente, não possa ser identificado sem mais ao que Hegel previra quando, em "Fé e saber" anunciou que um dia chegaria uma "religião dos novos tempos" - "eine Religion der neuen Zeit". Lembro-me, a propósito, de um dito de Guy Debord que li não me recordo onde e anotei em minha agenda: "em algum lugar da década dos oitenta do século XX, a história fez uma curva, girando em direção posta à anterior".