
o Deus dos nômades
no princípio as tribos que mais tarde formariam o povo Hebreu viviam como nômades ou semi-nômades nos ermos de Elam. consciente da inter-relação entre vivência e estrutura social por um lado e concepções teológicas por outro, Maag elabora as características do Deus nômade, tão decisivas para o antigo testamento.
a experiência religiosa das antigas tribos conforme ele, não se limita às migrações anuais em busca de rebanhos. esse tipo de semi-nomadismo ainda deixa os clãs pastoris circunscritos à um território limitado. os pastores e suas famílias se deslocavam para as grandes campinas no verão a fim de aproveitarem os campos depois da colheita. no inverno voltavam para a estepe e este ciclo de movimentação se repete com as estações. os Hebreus porém, no seu testemunho de fé, se referem a grandes transmigrações, nas quais os homens tinham que abandonar o território conhecido e marchar para o desconhecido. para o povo isto significa o Outro enquanto mundo: a vivência se altera profundamente. cresce a confiança (emunah) neste Deus que manda ir embora.
o antigo Israel jamais esqueceu a origem nômade de sua existência. insistiu sempre que o seu Deus era um deus de migrantes.
depois, na vida sedentária, aí sim, surgiram elementos teológicos das culturas urbanas e agrárias. coexistiram com a fé hebraica. mas o elemento nômade da teologia persistiu não sucumbindo neste processo sincrético. na tensão perpétua entre correntes nômades e sedentárias de pensar e confessar a Deus, Maag vê o traço fundamental da crença veterotestamentária.
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o deus dos que se mudam.
o Deus dos que mudam.
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http://www.youtube.com/watch?v=SqdWTeXWvOg