
Mayday, Mayday
meus espasmódicos estudos da exuberante mentalidade hebraica levaram-me até, por exemplo, Catherine Chalier. ela é maravilhosa, trabalha o feminino no judaísmo através da dimensão da Escuta. Se pararmos pra pensar, Deus nunca foi "figura" ou "imagem", ele sempre se fez ouvir: ele sempre teve um lado mais feminino que masculino, pelo menos na tradição Hebraica.
até porque, segundo o esquema de que finito e infinito não podem por natureza ocupar o mesmo espaço e tempo- sob o risco do pobre finito se foder neste confronto impossível, neste face a face de consciências desiguais-, a "imagem" do Divino equivale à fulminação do finito, e com a fulminação do finito, nada de testemunhas. e sem testemunhas, que Deus haveria, não? afinal: hoje em dia.
A "invisibilidade" de Deus- interdição de sua imago- preserva não só a existência do finito, mas igualmente a alteridade do próprio Deus, na medida em que Ele necessita de testemunhas que o "revelem", através da palavra: é uma cooperação e não um empreendimento unilateral: se soubessem o que está para acontecer diriam em coro: "não o retarde mais!"
Deus precisa de alguém –finito- que não resista a Ele, que se abandone ao seu voraz abismo de ausência de significação: ele está no meu dizer: a mediação decisiva é a palavra.
Júnior disse que os documentos do Judaísmo intertestamentário foram soterrados pelos - no dizer de Benjamin - "documentos de barbárie" da civilização Greco-romana Renascida dos infernos. eu concordo mas acho que não é o caso de se lamentar. é só ir compondo os paralelos e ler aquela época a partir sub specie aeternitatis de tudo o que continua aí, e agora mais do que nunca regressa com o regresso do contexto: os fariseus continuam aí, os saduceus continuam aí, os Zelotes hoje se chamam TL, Qumran está aí com seus cenóbios multiseculares, há um clima de fim-dos-tempos no ar, há uma ocupação invisível onde as espadas pendem dos pescoços dos agentes dessa inaudita "investida" (vide foto abaixo) e também aqui
EU SOU.