segunda-feira, 27 de setembro de 2010


ανάλυσις


a impossível esquiva.
a maneira como lidamos com o Real dita todo o resto
a maneira como o Real lida conosco decide todo o resto


tradição grega: especulativa, filosófica, teorética, mediada pelo intelecto.
tradição hebraica: funcional, histórica, pragmática, mediada pela palavra.





conceito
Nome

o grego conceitua o dado. ele vê o real Sendo, objetivando.
o hebreu interpreta a palavra. ele vê o Real acontecendo, falando.

o grego trata o Real como objeto de estudo e produz o mais vasto empreendimento do pensamento humano.
o Hebreu o reverencia como o único Deus e parte para uma relação direta com Ele no longo percurso da formação de sua identidade nacional.

no primeiro caso, a filosofia.
no segundo, a história.

teoria e evento
distanciamento
afecção

(que casamento daria aqui? metafísica funcional? distanciamento afectivo como o de um Pai?)

nos gregos a teoria supera o mito, a imaginação é substituída pelo saber.
já os Hebreus fizeram algo talvez muito mais abissal e que ainda não foi totalmente compreendido, muito menos explorado: eles fizeram a experiência interpretativa do Real como sujeito primário de toda e qualquer realidade. sujeito.

essas duas concepções se cruzaram na idade média, altamente especulativa.
o rompimento com a metafísica teocêntrica deu origem a modernidade, altamente funcional.

o homem moderno procura (tenta) recuperar a democracia Ateniense e a organização jurídica dos romanos aliada ao senso pragmático funcional da mentalidade bíblica que está profundamente impregnada em sua conformação histórica: ele tenta aproveitar o melhor do mundo antigo mas por lhe faltar o essencial acaba criando uma caricatura, uma paródia, um Espetáculo: ainda não conseguiu harmonizar as duas tradições que o plasmaram (greco-romana e Hebraica) e acaba manifestando o pior de ambas: a Lex e a teoria o prendem e ele cessa de receber, o seu senso funcional afundado na matéria lhe torna surdo para as palavras do Real, que o tempo todo ele vê sem enxergar.
em consequência disso o homem vive como se o Real não existisse, como se ele houvesse feito o Real. resultado: a Terra totalmente esclarecida resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal(Adorno)
o homem parou. esse mundo está a beira da ruína.

resta saber o que o Real em pessoa acha disso. falta ouvir a palavra do Real pessoalmente dita.

é aqui que eu entro


volto


eu, o Hebreu.
eu, o Filho.

sendo gestado para intérprete do Real
sua

encarnação.