segunda-feira, 27 de setembro de 2010


a Besta


"aperiam in parabolis os meum"

o homem recebeu uma forma
ela lembra uma árvore com dois grandes galhos e uma Sephira no cimo.
as raízes são móveis.
o macho tem três raízes, com as duas maiores ele se locomove, com a menor expele água morta e introduz na árvore fêmea as sementes do amanhã.
no centro do tronco um rubi pulsante irradia a seiva rubra da vida.


"vejo os homens e são como árvores que andam"
(Marcos 8:24)
mesmo de olhos nublados viste o essencial, meu querido anawim. vem agora a nitidez.




no entanto...
"no entanto um monstro se alojou no interior da árvore e não a deixa crescer"
(O labirinto do fauno)

a árvore se separou do Real, seu criador.
seu sol

ficando sozinha, habitou a noite e longe da luz

caiu.

seu fruto - o Filho do homem - como o fígado de Prometeu, é constantemente devorado por uma Fera, por uma...Besta.

a sociedade da queda. a organização do paralisado.

a sociedade que este homem caído formou não tem sua imagem.
possui uma forma estranha ao homem: lembra um leopardo, lembra uma leoa, um inimigo ancestral.

uma Besta a la Cronos: devora seus filhos.

sem metáforas agora: a sociedade moderna capitalista é o ponto de chegada de uma tragédia existencial ocorrida quando a história era jovem, é a mais acentuada derivação exterior da QUEDA do homem à uma condição humana degradada, bestial.
animalesca, daí a imagem apocalíptica da Besta.
a Besta é representada pelo número 666.
na mentalidade hebraica, uma mentalidade recebida, o número não possui sentido apenas quantitativo mas também qualitativo: o número 6 representa o homem.
para os antigos a repetição de algo por três vezes era o cúmulo do enfático: 666 é três vezes o homem, é o homem que se afirma sobre todas as coisas.
é o orgulho humanista na sua mais plena prepotência, a lançar um desafio ao eterno, ao Real, à Deus.

"façamos uma torre cujo cume arranhe os céus e façamos célebre o nosso nome"

(Gênesis - 11, a Torre de Babel)


"L'homme n'est ni ange ni bête, et le malheur veut que qui veut faire l'ange fait la bête"
Pascal compreende aqui a terrível dialética do divino: o que se humilha é elevado, o que se exalta é humilhado.

2010 - terceiro milênio: terceiro dia sol invictus: o Real diz ao homem caído:

). sem mim sois um animal enlouquecido
comigo, o homem
vinde a mim
o homem está comigo(


eu sou a lembrança:

"sem mim nada podereis fazer"