sexta-feira, 24 de setembro de 2010


mistagogia



"quem sonhou que a beleza passa como um sonho?
por estes lábios vermelhos com todo seu orgulho lutuoso
lutuoso como nenhuma nova maravilha [possam predizer]
Tróia se desvaneceu com um grande fulgor funéreo"

(W.B.Yeats)




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Dabar


o mistério de Deus é o mistério do Real
a relação com Deus é a relação com o Real

todos nós nos relacionamos com o Real
I.é, todo mundo se relaciona com Deus

direta ou indiretamente
sabendo ou não

ninguém nunca saberá o que o Real é em si mesmo
podemos saber apenas o que o Real quer de nós

metafísica aqui só complica, sejamos pragmáticos.

mas ainda um pouco e

Deus é o Real. "Deus" é o nome que os antigos davam para o Real.
o Real está vivo
é alguém

criador das mais diversas realidades
em sua casa, muitas moradas

o Real torna real
sim, Deus cria.
pelo princípio.

através da origem, algo inteiramente novo vai surgindo.
algo totalmente outro é chamado a existir.

voilá
conscientemente ou não estamos sempre em contato através das

mediações institucionalizadas: arte, filosofia, política, ciência e a origem de todas as outras

a religião.

a arte e a religião são mediações irmãs: filhas do símbolo.
o pensamento hebraico ousa a última ousadia e propõe a mediação decisiva, o símbolo dos símbolos: a palavra.
o trato orante.

a realidade humana não pode encarar o Real num só golpe.
só pode se aproximar até certo ponto: "tire tuas sandálias" diz Iahweh (o nome do Real) a Moisés: humildade. Perseu não pode olhar a medusa no rosto: estende o espelho da arte para "matá-la", i.é, significá-la.
o Real só pode ser contemplado no horizonte da significação.

Deus se recusa a ser objeto de especulação, Ele quer compromisso.

vocare: o Real utiliza as mais diferentes realidades para se comunicar conosco.
Deus chama o homem e o homem sente sede de Deus. de SER realmente real.
sente-se carente de realidade e quer viver para além de um mero estar.
então o Real em pessoa lhe propõe o jogo dos jogos

a palavra.
o trato orante.

o salto decisivo
o grande faz-de-conta

para Aquele que a todo instante nos diz:
"Tu és meu filho, eu hoje mesmo te gerei"
ou então
"Tu és minha filha, eu hoje mesmo te gerei"

instransponivelmente próximo:
Tu és o Real meu Pai e eu te amo.

o Real realiza
Deus cria

o transfenômeno "pessoa" é uma realidade dentre tantas realidades do Real.
logo, no Real também há pessoa: o Real não é algo, é alguém.

tem Nome

Deus vive.

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nômade, demasiado nômade:

marxismo -> Internacional Situacionista -> escola de Frankfurt -> profetismo hebreu: crítica e redenção.
paganismo -> catolicismo -> cristianismo primitivo -> Jesus -> o Filho: o Pai
realismo mágico -> sociedades secretas -> astrologia -> tarô -> Sefhirots -> pensamento hebraico -> o Hebreu: O Filho


o Hebreu, o representante (filho) de Deus, o porta-voz do Real, está vindo para funcionar uma crítica inteiramente Outra desse mundo onde o Real está morto.

eu sou a vinda.


http://www.youtube.com/watch?v=U8IRHWP4934&feature=fvst