
זמן
desde menino que tenho a mania de ficar olhando para trás quando viajo no banco de trás do carro. ontem isso cumpriu seu sentido.
ouvi o Dabar do Real sobre o tempo vendo a sua imagem do tempo.
temos que entre-avistar o Hebreu. urgente.
o passado está à frente, diante dos olhos.
podemos ver o passado.
o futuro está vindo por detrás. não podemos vê-lo.
só ouví-lo.
se bem que neste caso isso também equivale a pré-ver.
o paradoxo é a didática do divino.
o Real subverte a nossa lógica.
sua lógica é uma lógica inteiramente outra: sua palavra é para ser ouvida com os olhos.
a estrutura do Dabar é o paradoxo.
e isso é bom: a lógica do paradoxo é uma fonte inesgotável de conhecimento.
inesgotável.
já a lógica convencional...
se esgotou na descrição da forma.
imago temporis:
as índias da Bolívia e do Peru carregam seus bebês nas costas.
elas fazem uma espécie de mochilinha artesanal onde o bebê é colocado. levado pela mãe, ele está indo para a frente, mas seu campo de visão está restrito somente ao trajeto que ele já fez.
essa é a imagem perfeita da nossa relação com o tempo.
(uma pena que não a achei no google imagens...)
nós estamos sendo levados para a frente. de costas.
ou seja, o futuro está atrás de nós. o futuro é a frente do tempo
mas não é a nossa frente porque nós não somos o tempo, estamos no tempo.
o tempo é o caminho do Real.
à nossa frente está o passado. está bem diante dos nossos olhos.
às nossas costas está o futuro.
essencialmente desconhecido.
essencialmente imprevisível.
essa é a imagem Real do tempo. é a que ele nos oferece.
é um caminhar em espiral ascendente como o percurso de um trem subindo uma serra.
subir contornando a forma espiralar do tempo.
é um convite ao nomadismo, ao ir adiante, ao levantar do costumeiro e
caminhar. des-envolver-se.
mudar. deixar-se mudar
realmente.
la grande ilusion
a realidade paradoxal do tempo confunde o homem. ele se debate no seu entendimento limitado. iludido por uma má compreensão do tempo bíblico ele pensa que o futuro está à sua frente e que isso lhe capacita a andar sozinho, sem o Real.
tarde demais percebe que sem o Real, só lhe resta uma paródia do caminho.
o que o condena a voltar sempre ao mesmo ponto: o labirinto.
papo entre gregos
o douto moderno:
"mas aí você tira a iniciativa do homem. o bebê é levado para onde a mãe quer, ou seja, nesta imagem o homem é posto numa condição extremamente passiva"
mas o grego em mim, o analítico, está a serviço do Hebreu, o expressivo:
- essa imagem foi dita pelo Real. é o tempo do ponto de vista Dele.
do ponto de vista Dele ele nos leva. podemos ter uma idéia do ponto de vista dele na maneira como caminhamos. nós representamos no espaço o trajeto que ele faz no tempo.
nós somos esse caminhar em micro-escala. nós somos miniaturas do Real. nós somos o Real traduzido em linguagem física. nós o representamos aqui. mas nunca devemos esquecer que do ponto de vista dele as coisas se invertem totalmente para nós, como a luz que entrando invertida na íris: só podemos compreender o Real/Deus uma vez dominada a lógica do paradoxo.
voltemos ao Real.
ouçamos o Hebreu.
hoje.
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"chore não Taubaté"
o Real manda uma cartinha para o PCO
cont..