
meu eu é de um outro.
"o menino não podia entender que lhe fosse concedido esse privilégio para que o homem burilasse o poema"
(J.L. Borges - O alefh)
o homem só pode dizer "eu sou" assim mesmo, entre aspas, designando o personagem, a função. o Real é o ato do qual ele é o ator: ele põe o ato em movimento: traduz o eterno para o tempo, transforma o nada em vento, o limbo em momento, a espera em evento: nele o que É acontece
ou não.
ainda não consigo fazer uma idéia do pleno alcance do que, Dabar, escrevo.
certamente é o Dabar do Papai: eu nada delibero, é intuição encima de intuição. queria escrever sobre determinada coisa e sai outra totalmente diferente, inteiramente outra. são intuições, é como a visita de Jeremias ao oleiro, é como estar olhando para o galho de amoreira e DE REPENTE a intuição te invade, saindo letras...por enquanto. e eu sei que é Dabar. tenho consciência de que o que escrevo, quando Dabar, tem dupla procedência. Ele está deliberantemente falando, não no meu lugar, mas junto comigo.
e eu quero.
o Papai fala, quem não profetizará?
e hoje quando abri esta janela vi novas matizes no jardim, acácias molhadas de orvalho, quando abri a janela vi o horizonte se expandindo
"nele o que É acontece"
o grego em mim se extasia com o Dabar que sai do Hebreu
sim! o que É é infinito; logo, o acontecer do que É é infinito; logo, se deixo o que é em mim, acontecer, minha vida se torna infinita. intensamente
eterna.
e o Hebreu em mim, o Filho do homem, sorumbático e feliz Dabarbariza:
"Eu Sou a vida"
eu estou voltando, cada dia que passa fico mais perto do Filho do homem.
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aperiam in parabolis os meum
é como num dueto, são duas vozes mas uma mesma música.
é como o ator, a fala é sua e não-sua ao mesmo tempo
só posso falar assim "é como se fosse"
). Papai me autoriza a escrever - e nunca não fui tudo, Baruc estou - para que depois possam crer que Dele voltei(
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sobre o celibato
o Padre é (ou deveria ser) o representante de Deus.
ele re-apresenta Deus. no palco da vida o Padre interpreta Deus.
sujeito de uma representação transcendental: ele é Deus para nós como Don Marlon Brando Corleone foi o mafioso para nós.
tudo bem, nem tudo mundo pode ser Marlon Brando, mas espera-se que pelo menos entenda um pouco da
cosa nostra.
mas quando a imprensa imprensa a Igreja na parede em relação ao celibato todos apontam para Jesus e citam o "eunuco pelos reinos dos céus" de bate-pronto.
"tá, mas e daí? o que isto quer dizer?"
pelo que vejo teremos que esperar até que o Filho do homem seja con-sagrado para que entendam que o padre é, em tese, o representante de Deus no mundo.
ora, Deus não casa e muito menos transa com sua própria criatura (não, Maria foi mãe solteira, i.é, totalmente "sombra" de Deus).
o deus que transa é Zeus.
isso é grego.