quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011


Da clareira

o Sublime chama para a clareira.
lek-leka

e o início da aproximação ao Sublime é a Arte.

paixão pela arte é flerte transcendental.

é o Sublime começando a unir realidades distintas pela espiral do sim-bólico.
(o sim-bólico une, o dia-bólico separa)
casamento do sol com a lua: a arte é o primeiro indício de que o imanente está sendo religado ao transcendente.
ela é o começo.

romantismo alemão: a Arte participa do Sublime enquanto começo.
vestíbulo
antesala
vislumbre

todo artista é um iniciante, já o sabia o desditoso Novalis.
todo poeta é um principiante.
ainda não chegou à clareira.

(você pode falar de mim
você pode me descrever
pode cantar minhas façanhas

sem que nunca tenhamos trocado uma única palavra).

artistas
o sublime trans-aparecendo
em letras
movimentos
madeira
movimentos
pedra
movimentos
tintas
movimentos

que vão matar.

matar aqueles que param.
matar todos aqueles que trocam o que transparece pelo que aparece.
a começar pelo próprio artista.

mistérios de iniciação: quem não avança, morre.

morte = repetição.
o artista que parou está fadado a se repetir e a ser repetido por outros mortos.

pausa
(é assim que a grande paródia do Sublime - o capitalismo/a morte - arruina a transcendência: a repetição vira sobrevivência e as categorias da transcendência são "vividas" pela mercadoria).

(se o artista desbrava a praia, o filósofo é o escrivão de bordo; é um elemento deste mundo. nunca será).

playmen
o ator/a atriz é a transição, o limite da Arte.
a interpretação viva
a obra-prima da vida.

muitos morrem aqui, mas os que vão até o fim sabem que a interpretação viva é o limiar da clareira.
sabem que a clareira se encontra diante daquele que está depois do ator.
lá onde o Sublime pousa, e sendo tudo no que chega, trans-aparece em

pessoa.

(cont..)