
Malkut Iahweh - o reino de Deus -
ouçamos outra vez essas antigas palavras:
"cumpriram-se os tempos e o reino de Deus está próximo, arrependei-vos (metanóia) e crede na boa-notícia".
(Mc 1,15)
contexto: ano 1 na Judéia sob ocupação romana.
messianismo em alta, o povo estava tomado de intensa expectativa pela chegada de um novo Davi que os libertasse dos novos filisteus. o aparecimento de Jesus suscitou uma onda de emocionante esperança e os gritos de "hosana" saudavam aquele que para todos os efeitos era "o filho de Davi".
mas Jesus rejeita qualquer tipo de reinado seja de Jerusalém ou de Roma, seja este pró-nós, seja aquele contra-nós; ele é pelo reino para-todos:
Reino de Deus e não do homem, que é sempre o reinado de um determinado tipo de homem, que marginaliza e antagoniza a riquíssima diversidade de tipos. mas Malkut Iahweh, o reino de Deus, não é de homem nenhum e por isso mesmo é de todos. não se curva a nenhuma Weltanschauung particular, desmascara a pretensão universalista de todas elas e longe de se estabelecer na segurança do consuetudinário aponta para frente, para o ainda não vivenciado, para o desconhecido na eterna novidade da vida.
mas essa boa-notícia exige o nosso sacrifício pelos outros, por todos.
e ninguém quer se sacrificar pelos outros, quando muito por si mesmo e na grande maioria dos casos os outros que se sacrifiquem por mim.
duro é acordar para a realidade de que o Reino de Deus também é uma responsabilidade nossa e não só Dele. e que enquanto aqui hesitamos, há homens infames entrando em ação incessantemente, trocando o reino de Deus por uma paródia qualquer.
foi isso que Jesus re-velou.
e então a decepção, e então o refluxo das multidões, e então a cruz.
todos se foram. no horto até seus amigos mais chegados fugiram e ele ficou só.
foi preso, foi entregue aos romanos que o executaram como subversivo.
fracasso.
"só sobraram dois ossos e uma ponta de orelha. o resto o Leão comeu.
mas com isso que sobrou Deus vai fazer grandes coisas"
e então o inaudito simbolizado pelo imagem do túmulo vazio.
e eles lançaram mão do mito da ressurreição para expressar essa novidade totalmente outra. uma nova forma de vida, diferente, que para nós só se permite chegar até certo ponto.
que é:
a sua mensagem vive e como, Dabar, ele era a sua mensagem, ele vive. ele acontece.
e o reino de Deus acontece juntamente com ele quando ele acontece juntamente comigo.
permanecendo no caminho: eu e cada um de nós porque somos tudo em todos.
e o reino de Deus continua a utopia das utopias, sempre latente/manifesto nas dores de parto da "comunidade que vem".
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(na foto, Sem-terras ocupando uma área improdutiva).
sabedoria da derivação: os latifundiários possuem áreas improdutivas porque eles são áreas improdutivas.