quinta-feira, 31 de março de 2011


a subversão do mito

eu escuto o canto das origens no meu oceano interior
me chamando.
mas sinto medo e por isso me amarro na segurança do meu mundo.
quero permanecer na superfície.
tenho medo.
pássaro acostumado com a gaiola tem medo de voar.

mas e se

e se eu descobrir que as sereias estão à serviço de alguém que me ama?
e se eu descobrir que não há nada a temer?
e se uma sereia, que um dia foi como eu, se recosta na borda do meu mundo para me dizer isto?

livro-me do medo e vou com as sereias
elas estão em mim
eu sou uma delas
eu estou em mim
escuto:
Vá para ti.


(paradoxalmente: se distancie de ti mesmo(a): observe-se, estranhe-se, estude-se: conheçendo a ti mesmo(a) tu irás à tua origem, indo à tua origem você será transformado(a) numa nova pessoa e voltará ao teu mundo de sempre, como "sereia", para chamar outros adormecidos)

não seja Ulisses, seja uma das sereias.

quinta-feira, 24 de março de 2011


מגן

o defensor

a verdade é um modo de ser.
a verdade é alguém.

o espírito de verdade rufla em abaixo desde pentecostes para finalmente re-pousar num homem.

loucura?
a sabedoria de Iahweh é loucura para os homens.
utopia?
EU SOU a utopia.

espírito manifesto pela carne
investidura
___

(p.s: a pomba desce em espiral: kènosis)

segunda-feira, 21 de março de 2011




Cena da origem
(2006-2011)

sábado, 26 de fevereiro de 2011


ANTIMONEY: contra o reinado dos grandes mercadores


"Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus"

quando Yeshua deu aos fariseus a célebre resposta, tinha diante de si a Moeda e o Homem.
A Moeda com a imagem de César.
O Homem, com a imagem de Deus¹.

o dinheiro é uma invenção criada para facilitar a troca equivalente de produtos.
nas origens era usado apenas entre mercadores.
tal equivalia a tanto.

mas agora o mundo é controlado pelos mercadores.
tudo é comércio.
todo mundo é obrigado a usar dinheiro.
tanto equivale a tal.

neste mundo as pessoas podem pensar e dizer o que quiserem, para os grandes comerciantes tanto faz: desde que usem dinheiro...

a liberdade com que os mercadores controlam tudo e todos é chamada por eles de "democracia"
a liberdade de nos livrar do controle deles é chamada de "subversão".

muita gente tenta se organizar para se ver livre do controle dos grandes mercadores, mas como continuam usando dinheiro eles continuam no controle, afinal o dinheiro é coisa deles.

mas e se tudo fosse de graça?

e se a única exigência para usufruir das coisas fosse a participação nas atividades de uma dada comunidade?
não seria o fim do reinado dos mercadores?

pois se os mercadores gostam tanto de dinheiro, que fiquem com ele.
que continuem usando dinheiro em suas trocas mas sem obrigar tudo mundo a usar.

o problema aqui é o de sempre: quem vai colocar o sino no pescoço do gato?

tudo bem, tudo bem,
o Antimoney vai.

___

1- diferentemente de todos os outros cultos do mundo antigo, o pensamento hebraico proíbe o uso de imagens porque para ele nenhum artefato pode reproduzir a divindade: nós somos a imagem e semelhança de Iahweh. e mesmo assim a cada traço físico corresponde uma realidade espiritual.
e a primazia é do ouvido, isto é, do "escutar".

(tá, esquece esse "Freeconomics", eu nem li isso, usei mais pra passar a idéia da gratuidade universal: um mundo sem compras. quanto ao Antimoney a idéia não é voltar ao passado porque nunca existiu uma sociedade onde tudo fosse de graça, estamos falando aqui simplesmente de democratizar o consumo de forma radical: distribuição ao invés de compra. fim do uso de dinheiro: Tudo de graça.

além do que

a conversão de tempo em valor é uma invenção dos mercadores. a compensação do esforço não precisa ser mediada pelo dinheiro, pode ser direta. quanto ao trabalho exigido para manter o conforto sóbrio ele continua o de sempre, a mudança terá que ser de mentalidade: trabalhar para a coletividade pensando nela e não no que se pode lucrar com isto)

___

a derivação final de um homem que se acha dono de si mesmo é a propriedade privada dos meios de produção, claro. aí surge um dilema: antes que tudo seja de graça é necessário que tudo pertença a todos ou antes que tudo pertença a todos é necessário que tudo seja de graça?
(ATENÇÃO: vc disse: o cara "recebe" em espécie. aí q tá, o cara não "recebe" nada: é dele. não há ninguém pra lhe dar algo que ele não já possua em comum com todos).

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011


Da clareira

o Sublime chama para a clareira.
lek-leka

e o início da aproximação ao Sublime é a Arte.

paixão pela arte é flerte transcendental.

é o Sublime começando a unir realidades distintas pela espiral do sim-bólico.
(o sim-bólico une, o dia-bólico separa)
casamento do sol com a lua: a arte é o primeiro indício de que o imanente está sendo religado ao transcendente.
ela é o começo.

romantismo alemão: a Arte participa do Sublime enquanto começo.
vestíbulo
antesala
vislumbre

todo artista é um iniciante, já o sabia o desditoso Novalis.
todo poeta é um principiante.
ainda não chegou à clareira.

(você pode falar de mim
você pode me descrever
pode cantar minhas façanhas

sem que nunca tenhamos trocado uma única palavra).

artistas
o sublime trans-aparecendo
em letras
movimentos
madeira
movimentos
pedra
movimentos
tintas
movimentos

que vão matar.

matar aqueles que param.
matar todos aqueles que trocam o que transparece pelo que aparece.
a começar pelo próprio artista.

mistérios de iniciação: quem não avança, morre.

morte = repetição.
o artista que parou está fadado a se repetir e a ser repetido por outros mortos.

pausa
(é assim que a grande paródia do Sublime - o capitalismo/a morte - arruina a transcendência: a repetição vira sobrevivência e as categorias da transcendência são "vividas" pela mercadoria).

(se o artista desbrava a praia, o filósofo é o escrivão de bordo; é um elemento deste mundo. nunca será).

playmen
o ator/a atriz é a transição, o limite da Arte.
a interpretação viva
a obra-prima da vida.

muitos morrem aqui, mas os que vão até o fim sabem que a interpretação viva é o limiar da clareira.
sabem que a clareira se encontra diante daquele que está depois do ator.
lá onde o Sublime pousa, e sendo tudo no que chega, trans-aparece em

pessoa.

(cont..)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011


a progressão thaumazein

distanciamento radical.

o mundo, a criação, as pessoas
estou vendo, e ao ver eu vejo a forma.

e a forma fala.
revela

: a intenção

por analogia est

num distanciamento radical.

(mesmo a própria História tem uma forma
linear e cíclica ao mesmo tempo: a espiral)

agora vejo em parte mas então kènosis, pouso penetrante e uma estória de amor.

o filho é apaixonado pelo Pai.
pela obra do Pai.
quer ser como o Pai.
ver como o Pai.
trabalhar para o Pai.